Vive Ativo
Início / Artrose na anca (coxartrose): sintomas e o que fazer
Autor Redação Vive Ativo Atualizado 21 de agosto de 2026

Artrose na anca (coxartrose): sintomas e o que fazer

Resposta curta: a artrose na anca — ou coxartrose — é o desgaste da cartilagem da articulação da anca. O sinal mais típico é dor na virilha (e não tanto na lateral), que piora ao andar e aparece ao pôr meias ou calçar sapatos. É mais comum com a idade e controla-se com perda de peso, exercício e analgésicos; nos casos avançados, a prótese da anca é uma das cirurgias com melhores resultados.

Virilha
onde a coxartrose costuma doer, não na "banha" lateral
Ao calçar
dor ao pôr meias/sapatos é um sinal precoce típico
Prótese
dos procedimentos ortopédicos com melhor resultado, em casos avançados

O que acontece na anca

A anca é a articulação onde a cabeça do fémur encaixa na bacia, e suporta o peso do corpo ao andar e ao estar de pé. Quando a cartilagem que reveste esse encaixe se desgasta, surge a coxartrose: dor, rigidez e perda de amplitude do movimento.

Há um ponto que confunde muita gente: a dor da anca sente-se na virilha, por vezes irradia para a coxa ou o joelho — e não na parte lateral, que costuma ser outra coisa (bursite ou tendinite). É por isso que há quem ande com dor no joelho que, afinal, vem da anca.

Porque aparece a coxartrose

Como no resto do corpo, a idade é o principal fator. Mas na anca há duas causas estruturais que merecem nome, porque explicam artrose mais cedo do que o esperado — a chamada artrose secundária:

  • O impacto femoroacetabular (FAI) são pequenas malformações do osso, no fémur (tipo "cam") ou no acetábulo, a cavidade da bacia (tipo "pincer"). Provocam um contacto anormal na articulação a cada movimento e desgastam a cartilagem ao longo dos anos.
  • A displasia da anca é uma articulação que não formou bem na infância. Mesmo em graus ligeiros não diagnosticados na altura, distribui mal a carga e leva a artrose mais tarde na vida.
  • O excesso de peso e o esforço repetido aceleram o desgaste, como em qualquer articulação que suporta o corpo.

A coxartrose é menos frequente do que a artrose do joelho, mas não é rara: estima-se que afete cerca de 7% das mulheres com mais de 65 anos, e aumenta com a idade.

Quais são os sintomas

  • Dor na virilha ao andar, que alivia com o repouso. No impacto femoroacetabular, é uma dor profunda na virilha, pior ao estar sentado muito tempo ou depois de atividade.
  • Dificuldade em gestos do dia a dia — pôr meias, calçar sapatos, entrar no carro, apertar os atacadores.
  • Rigidez ao levantar ou depois de estar sentado, que passa em minutos.
  • Coxear e perda de amplitude — dificuldade em abrir a perna para o lado ou rodá-la.
  • Com o tempo, a perna afetada pode parecer ligeiramente mais curta.

Se a rigidez de manhã durar mais de 30–60 minutos, pense noutras causas e procure o médico — veja artrite ou artrose.

Anca ou coluna? Como não confundir

A dor da anca e a dor lombar que "desce" tratam-se de forma diferente — e muita gente anda a tratar a zona errada. Convém separá-las.

A dor da coxartrose concentra-se na virilha e agrava com a marcha e com os gestos de rodar ou abrir a anca (calçar, entrar no carro). Já a dor de origem lombar costuma partir das costas ou da nádega. A dor das facetas da coluna irradia para a nádega e a face posterior da coxa mas caracteristicamente não desce abaixo do joelho; a dor de uma hérnia com nervo comprimido tipicamente desce abaixo do joelho, seguindo o trajeto do nervo pela perna.

Na dúvida, é o médico que localiza a origem, muitas vezes com uma radiografia da anca. Se quiser perceber a coluna, veja artrose na coluna e cervical.

Como se mede a gravidade e como evolui

A gravidade da coxartrose no raio-X classifica-se pela escala Kellgren–Lawrence, de 0 a 4, que mede o estreitamento do espaço articular e os osteófitos. Nas articulações que suportam peso, como a anca, a evolução tende a ser progressiva, embora possa ser lenta ao longo de vários anos — e a perda de peso e evitar sobrecargas repetidas ajudam a travá-la.

Convém guardar uma ressalva, que evita muita angústia: nem sempre a imagem coincide com a dor. Há ancas com desgaste marcado no raio-X e queixa mínima, e há o oposto. É o médico, e não a imagem isolada, que decide a conduta.

O que fazer para aliviar

O que mais ajuda na anca não se compra:

  1. Controlar o peso, porque a anca carrega o corpo e menos peso alivia diretamente a carga a cada passo.
  2. Exercício adequado: fortalecer os músculos à volta da anca e das nádegas, com atividades de baixo impacto como nadar ou bicicleta. O exercício alivia a dor com um efeito comparável ao dos medicamentos, e as guidelines (OARSI, EULAR) colocam-no como tratamento de primeira linha para todos os doentes.
  3. Usar uma bengala do lado oposto quando a dor é grande — tira carga à anca doente.
  4. Analgésicos, indicados pelo médico.

Também aqui os suplementos ficam pela evidência fraca do costume — veja o que a evidência mostra. Nenhum reconstrói a cartilagem da anca, e as guidelines OARSI e ACR recomendam contra a glucosamina na anca. A medida com melhor evidência, e a única gratuita, continua a ser o peso e o movimento — precisamente aquilo sobre o qual os anúncios de cápsulas se calam.

Que exercícios ajudam a anca

O objetivo é fortalecer os músculos que estabilizam a anca — sobretudo os glúteos — e manter a amplitude, sem impacto. Alguns exemplos que um fisioterapeuta costuma indicar:

  • Ponte de glúteos: deitado de costas, joelhos dobrados, elevar a bacia contraindo as nádegas.
  • Abdução deitado de lado: elevar a perna de cima de forma controlada, para trabalhar os músculos laterais da anca.
  • Movimentos suaves de amplitude, levando a perna para a frente, para o lado e a rodá-la dentro do que a dor permite.
  • Andar em piscina ou pedalar, que mantêm a mobilidade sem carregar a articulação.

A regra é constância e progressão gradual, não intensidade. Uma dor ligeira durante o exercício é aceitável; dor que aumenta e persiste horas depois é sinal de que se exagerou. Um programa mantido durante semanas dá muito mais resultado do que sessões isoladas.

Quando se opera a anca

A artroplastia da anca (prótese) é considerada nos casos avançados, com dor que limita a vida e não melhora com as outras medidas. É uma das cirurgias ortopédicas com melhores resultados — muitas pessoas recuperam mobilidade e ficam sem dor.

A decisão e o momento são do ortopedista e baseiam-se na dor e na limitação, não apenas no grau do raio-X. Não é uma urgência, mas também não vale a pena adiar indefinidamente quando a qualidade de vida já está muito afetada. A recuperação envolve fisioterapia nas semanas seguintes para readquirir força e uma marcha normal.

O que este guia faz — e o que não faz

Explicamos o que é a coxartrose e o que ajuda. Não confirma que a sua dor vem da anca — dor na virilha, na coxa e no joelho pode ter várias origens (incluindo a coluna), e é o médico que localiza a causa, muitas vezes com uma radiografia. E não indicamos doses de suplementos por conta própria: sem avaliação, seria leviano — e é por essa brecha que muita venda entra a quem tem dores.

EmergênciaVá ao hospital agora
  • anca ou perna subitamente incapaz de suportar o peso após queda (pode ser fratura, sobretudo em pessoas mais velhas)
  • articulação quente com febre — possível infeção

UrgenteConsulta urgente, em 1–2 dias
  • dor na anca que agrava depressa em dias ou semanas
  • dor noturna com perda de peso sem explicação
  • rigidez matinal com mais de 30–60 minutos

Fontes utilizadas

Perguntas frequentes

Onde dói a artrose da anca?

Tipicamente na virilha, por vezes com irradiação para a coxa ou o joelho. A dor na parte lateral costuma ser outra coisa (bursite), não coxartrose.

Como distingo a dor da anca da dor da coluna?

A dor da anca fica na virilha e agrava ao andar e a rodar a perna. A dor lombar parte das costas ou da nádega; a das facetas não passa o joelho, a de uma hérnia com nervo comprimido desce abaixo do joelho. O médico localiza a origem.

Que exercícios são bons para a artrose da anca?

Atividades de baixo impacto (nadar, bicicleta) e fortalecimento dos músculos da anca e das nádegas. Um fisioterapeuta indica o programa; evitar a inatividade.

A artrose da anca tem cura?

Não se reverte o desgaste, mas controla-se com peso, exercício e analgésicos. Nos casos avançados, a prótese resolve a dor com muito bons resultados.

A glucosamina serve para a anca?

Nos ensaios grandes não superou o placebo e as guidelines recomendam contra o seu uso na anca. É segura, mas o efeito, se existe, é pequeno. Veja suplementos.

Posso continuar a andar com artrose da anca?

Sim, e deve. Andar dentro do que a dor permite mantém a articulação móvel e fortalece os músculos que a suportam. O que faz mal é a inatividade e a sobrecarga em excesso; ajuste a distância às queixas e evite terrenos que doam mais.